Coleção Pirelli / MASP de Fotografia

Atribuição de descritores, Boris Kossoy

Proposição Metodológica

Apresentamos aqui um condensado de trabalho mais expandido, referente aos conceitos e metodologia proposta para a atribuição de descritores às imagens fotográficas. Trata-se da essência da proposta que temos desenvolvido para a tarefa de indexação de imagens e que aplicamos às obras da Coleção Pirelli / MASP de Fotografia.

Três são as categorias pensadas para abrangerem os descritores de conteúdo das imagens fotográficas: espacial, cultural e presencial. A primeira e a segunda têm, em comum, o fato de englobarem descritores de certa forma indiretos em relação ao tema representado, enquanto que a terceira categoria abrange descritores diretamente relacionados aos objetos do mundo concreto representados na imagem.

1) A categoria espacial refere-se às características da tomada do registro (externa ou interna) em função da situação / ocorrência do tema, e ao local em que o mesmo se encontra (geografia).

2) A categoria cultural abrange informações de conhecimento (acumuladas pela cultura) acerca do contexto e das particularidades do tema registrado, em seu objeto principal e em seus objetos secundários. Os descritores desta categoria podem ser compreendidos, de forma simplificada, em três grandes subcategorias hierárquicas: geral, intermediária e específica. A subcategoria geral se refere, de forma abrangente, aos contextos amplos que envolvem e / ou dizem respeito ao tema registrado, assim como a partes dele. A subcategoria intermediária restringe essa abrangência fechando o ângulo na direção do objeto e, a subcategoria específica, particulariza e aprofunda o tema, no seu aspecto principal como nos demais aspectos secundários. Os descritores da categoria cultural devem trazer um peso antropológico, histórico, político, social, técnico, estético enfim, ao registro, explicitando e aprofundando assim o seu valor enquanto documento.

A categoria cultural refere-se, pois às aproximações culturais segundo níveis hierárquicos direcionados ao tema.

3) A categoria presencial refere-se ao registro fotográfico propriamente dito, isto é, ao que está gravado dentro dos limites da imagem: o iconográfico. Seus descritores devem trazer informações específicas ao tema representado na sua concretude sendo, portanto, de ordem física.

Há no desenvolvimento proposto uma linearidade natural focada no tema principal da imagem. No entanto, esse desenvolvimento deve ser operacionalizado de forma continuada em relação aos elementos que podem ocorrer ao redor ou ao fundo do assunto principal e que dele independem; são os objetos, fatos, personagens, vegetação, elementos urbanos etc. que foram igualmente capturados no registro, e que convivem com o assunto principal num segundo plano sob vários aspectos: informativos, técnicos e estéticos. Das três categorias, a presencial, em especial, por sua natureza iconográfica, congela esses elementos no conteúdo. Se, porventura, esses elementos têm certa relevância – seja em relação ao próprio assunto principal seja individualmente – nesse caso os consideramos também como descritores.

Resta determinar o critério com que se irá hierarquizar este ou aquele fato que ocorre na imagem e atribuirmos a tais elementos secundários os devidos termos descritores. Esse método enfatiza a multidisciplinaridade de abordagens que as imagens requerem para sua análise em função de seus conteúdos ricos de informações.

Diante do método proposto estabelecemos os descritores para a Coleção pensados segundo uma continuidade lógica ao longo da tríade espacial-cultural-presencial, nesta seqüência. Um triângulo em cujo interior se desenvolvem linearidades e entrecruzamentos que resultam no conjunto de descritores que procuram cercar o objeto representado, direta e indiretamente.

As três categorias devem manter como critério termos substantivos e sempre na forma singular. Além disso, busca-se, trabalhar com termos mais gerais de forma a facilitar o acesso de consulentes ao sistema. Conta a Coleção atualmente com 962 fotografias, que deram margem à publicação de 16 catálogos (no período 1991-2007), sendo o último referente à edição de 2007. O conjunto dos descritores vem constituindo, aos poucos, um vocabulário controlado (até esta data são 886 descritores) que permite uma eficiente recuperação das imagens / informações do acervo.

Finalmente, enquanto conceito, é importante ressaltar que a atribuição dos descritores deve ser considerada como um processo dinâmico. As imagens enriquecem em significados na medida em que surgem novos conhecimentos sobre seus conteúdos e, em função disso, devemos estar sempre abertos à revisões, acréscimos e aperfeiçoamentos.



Boris Kossoy é Professor Titular da Escola de Comunicações e Artes da USP e membro do Conselho Deliberativo da Coleção Pirelli / MASP de Fotografia
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